O projeto de Pompéu, situado na cidade de mesmo nome, em Minas Gerais, é um dos grandes pilares do Instituto de Artecologia. Mais do que um espaço, ele não se limita à produção artística ou à restauração ambiental.
Na realidade, ele se insere em uma lógica maior, focada na construção de um ecossistema onde a arte, o território e a economia se retroalimentam. Inspirado por modelos consolidados no Brasil, como o caso do Instituto Inhotim, o projeto entende que a criação de espaços expositivos transforma não apenas o valor das obras, mas o próprio território ao seu redor.
Nesse modelo, a obra não está isolada, pois ela faz parte de um sistema vivo. Portanto, quando um espaço expositivo é criado, ele ativa uma cadeia de valorização onde os artistas, as obras, o território, a narrativa e o público passam a crescer juntos. Consequentemente, a iniciativa honra a grandiosa Natureza ao integrar a paisagem diretamente ao processo cultural.
Da Produção Florestal à Produção Simbólica
Em Pompéu, essa lógica é reinterpretada a partir da Artecologia. O viveiro, com mais de 1.200.000 mudas, não atua apenas como um ativo produtivo, ele se torna um verdadeiro ativo simbólico.

Além disso, cada tubete, cada bandeja e cada resíduo carrega uma história, e essa história passa a ser a matéria artística principal. A grande virada conceitual está aqui, pois não se trata de reciclar materiais, mas de revelar o significado deles dentro de um sistema vivo.
Por exemplo, um tubo de irrigação deixa de ser plástico e passa a representar milhões de litros de água.
Adicionalmente, uma bandeja quebrada deixa de ser descarte e passa a ser o vestígio de uma floresta em formação. Um material queimado deixa de ser perda e passa a ser a memória do ciclo ecológico.
Projeto de Pompéu: A Arte Como Estratégia de Valorização
O projeto de Pompéu também assume algo que muitos evitam dizer explicitamente, comprovando que a arte é, ao mesmo tempo, linguagem simbólica e estratégia de valorização. Ao criar um espaço expositivo, ainda que inicialmente dentro do próprio viveiro, ocorre uma transformação clara.
Dessa forma, o território ganha narrativa, a obra ganha contexto, o artista ganha identidade e o conjunto passa a gerar valor.



Esse modelo já se repete em diferentes regiões do Brasil. Os colecionadores e investidores começam a criar os seus próprios espaços, entendendo que a arte, quando contextualizada, tende a se valorizar junto com o ambiente que a sustenta.
O Viveiro Como Origem de Uma Indústria de Arte
Em Pompéu, surge uma ideia mais radical para transformar o processo produtivo em um sistema contínuo de criação artística. Não se trata de produzir obras isoladas, mas de estruturar uma lógica onde o viveiro gera a matéria, a equipe gera o processo, o território gera a narrativa e a arte emerge como síntese.
Isso abre caminho para algo maior, apontando para uma possível indústria de arte baseada não na repetição, mas na singularidade de cada território.



Cada obra nasce de um contexto específico, seja no Cerrado, na Mata Atlântica, na Amazônia ou na Caatinga, e carrega consigo uma identidade impossível de replicar artificialmente.
Monumentalidade e o Trabalho Coletivo
Outro ponto central do projeto é a escala. As obras não são pensadas como objetos pequenos, mas como estruturas monumentais. Elas incluem paredes com bandejas, instalações com tubetes, ilhas nucleares e estruturas construídas com madeira, concreto e resíduos orgânicos.





Essa monumentalidade só é possível porque existe um coletivo forte envolvido. Mais de 60 pessoas participam direta ou indiretamente do processo entre o viveiro, o campo e a operação. Consequentemente, isso muda completamente o sentido do trabalho. A obra não é feita por um artista solitário, ela é construída por um sistema vivo.
Projeto de Pompéu: Arte, Memória e a Transformação da Matéria
O projeto também introduz um conceito fundamental da Artecologia, que é a transformação contínua da matéria. Nada é estático. Portanto, o plástico vira floresta, a madeira vira carvão, o resíduo vira obra e a obra, com o tempo, se transforma novamente. Essa lógica aproxima a arte e a ecologia de forma radical, fazendo com que ambas deixem de ser representação e passem a ser processo.



Em Pompéu, a Artecologia encontra um dos seus territórios mais completos. Ali, o Cerrado não é apenas paisagem, é matéria, memória e linguagem. O viveiro não é apenas produção, é pensamento estruturado. E a arte não é apenas objeto, é um sistema ativo com a grandiosa Natureza.
Em Pompéu, a floresta não nasce apenas das mudas, pois ela nasce também da reorganização simbólica dos materiais, das pessoas e das histórias que a tornam possível.