Manifesto conceitual

O Que é
Arte-Ecologia

“A Arte-Ecologia nasce de uma ferida. Não apenas da ruptura dos ecossistemas, mas da maneira humana de habitar o mundo: a degradação do solo, das relações, da escuta, da presença. O esgotamento dos recursos e também do sensível.”

Ela trata essa condição como travessia. Nasce da consciência de que toda vida carrega finitude, e é isso que convoca a intensificar a existência: a morte não diminui a vida, torna-a urgente. Por isso a proposta é um modo de viver: presença sem anestesia, sustentar o olhar diante do medo e ainda assim pulsar.

Arte, porque o trabalho é de criação e de forma. Ecologia, porque o método vem da restauração florestal, de vinte e cinco anos plantando, medindo e esperando. E há uma terceira camada: o eco aponta também para o ego, para o cuidado com o indivíduo, que é a condição de qualquer cuidado coletivo. Restaurar uma mata e formar uma pessoa obedecem à mesma lógica: começa-se pequeno e denso, num ponto só, e espera-se que aquilo se espalhe.

Os três campos

01 · Campo pulsional

O trabalho consigo.

Introspecção, afeto, a paixão pelo que se faz. O termo vem da psicanálise, da pulsão de vida, e nomeia aquilo que precisa ser cultivado no indivíduo antes que qualquer obra tenha de onde vir.

02 · Campo nuclear

O trabalho com os outros.

O nome vem da ilha de nucleação, técnica de restauração florestal em que se planta um núcleo pequeno e denso que atrai fauna, sementes e sombra até a mata se refazer sozinha. Aplicado a pessoas, é o mesmo princípio: conexões com pares, pesquisadores e comunidade que fazem a criação crescer para além de quem começou.

03 · Campo de luz

O trabalho para depois.

Onde o pensamento se acende, e novas formas de compreensão e ação começam a emergir. É também o trabalho para depois: a consciência do que se deixa às próximas gerações, a ideia de devolver o lugar melhor do que se encontrou. Este campo tem uma origem concreta: a chácara deixada pelo pai de Solano, hoje viveiro e sede.

“Os três campos são dimensões simultâneas de um mesmo trabalho, e servem tanto para orientar a produção de uma tela quanto para desenhar um programa de formação. Todo projeto do Instituto responde às três perguntas que eles fazem: o que isto cultiva em quem faz, o que isto cria entre as pessoas, e o que isto deixa depois.

Ainda é possível germinar em meio à ruína. Criar abrigo em meio ao esgotamento. Acender pensamento em meio à dispersão. Restaurar vínculos em meio à fragmentação.”